Se você me pedir para falar um pouco sobre como sou e o que faço, provavelmente não será interessante. Esse site é 99% fictício, e o 1% restante pode ou não ser verdade.

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Domingo, Maio 30, 2004

Às vezes você simplesmente acorda e o dia é estranho. Você pensa que pode ser a tradicional depressão pré-segunda, mas não. Essa é bem mais abrangente e cobre um período imenso por vir. Inicialmente, você não aguenta mais as cobranças no ambiente de trabalho. Tudo que ninguém gosta de fazer é passado a você. Campanhas são chatas, ainda mais quando é você que passa sábado, do meio dia às 16 da tarde, incomodando pessoas que não gostam de uma rádio, forçando-as a dizer o contrário. Daí sai com uma pessoa que gosta muito, o que poderia amenizar e melhorar um pouco a situação. Foi ótimo. Depois, muito cansado, vê um filme e vai dormir.

Chega domingo e sua agenda para o final do dia está tomada. Mas até lá, você tem tempo de sobra para pensar na segunda feira e em tudo que deveria já ter começado a fazer para faculdade mas não iniciou, por preguiça e cansaço. É, você leu Fante pela manhã e isso melhora o seu dia e também piora, pois baldini reclama e caga muito em seus livros. Tomara que o Grêmio ganhe... e que essa gripe passe.

É...eu fiz diarinho. Me perdoem dessa vez.

postado por: tenfootpole 4:17 PM Fala aí. Quinta-feira, Maio 27, 2004

AH, NÃO!BURRO NÃO!

- A maldita cidade estava destruída e eu ali, curtindo a vida. Já passava das 5 da manhã, eu entraria no trabalho às 6 e 30. Mas azar, também sou filho de Deus. Então falei com a menina de verde, que no início da noite tava beijando outra garota. Ela disse que preferia meninas, mas que eu tinha algo estranho que a atraía. Novidade! Eu sei que sou estranho, só não sabia que tinha algo que poderia atrair. Então dei uma chance pra menininha e fomos pro meu quarto, brincar um pouco. Foi legal, gostei bastante.
-Cala a boca, Anão. Nenhuma mulher normal seria capaz de gosta de um anão como tu.
-Hei, não fala assim. Você está ferindo meus sentimentos, bundão!
-Hahahaha. Anão tem sentimentos?? Essa é nova pra mim ô baixinho cabeçudo e mentiroso.
-Tô me invocando contigo!Melhor tu ficar quieto.
-Ah eh, baixinho.. o que tu vai fazer, dar um chute no meu saco? Ah, tu não alcança! vai ter que ser uma cabeçada, cocozinho!

O anão havia avisado. Ele fez algo inesperado. Deu um salto atingindo a barriga do oponente. Esse caiu no chão ofegante. O pequeno ser aproveitou e aplicou-lhe uma chave de perna, quebrando uma e depois a outra pata. Agora ele não conseguia se levantar. Tirou as roupas do imbecil e pendurou-as numa árvore. Pegou um carrinho de supermercado, colocou o cara dentro e encostou debaixo da árvore. Um cartaz acima registrava: "Não jogue lixo no parque". A ele, adicionou os seguintes dizeres: "ele já está aqui, por culpa de algum supermercado". Anão, mas burro não.

postado por: tenfootpole 10:05 PM Fala aí. RON

- Você é um engodo! Cai fora daqui!

Essa frase abalou profundamente Ron. Não era a primeira vez que ele a ouvia, e muitas vezes a interpretara como um fator positivo, pois normalmente era expulso de lugares que não gostava . Mas hoje foi diferente. Muito diferente.

Ron arranjou um belo passatempo. Finalmente conseguia fazer algo no qual se sentia bem, em contato indireto com uma de suas maiores paixões. Ele era um apaixonado por jornalismo. Desde pequeno sonhara trabalhar com isso.Porém, a incapacidade de ingressar em uma faculdade pública e inviabilidade de pagar uma privada tornaram o desejo de Ron um sonho qualquer. Ele agora era porteiro do complexo de uma famosa empresa de comunicação local. Mas foi despedido.

- Nunca vi o Ron tão triste - comentou a esposa com uma viznha no dia posterior.
- O Ron não merecia isso - considerou o amigo Elean, taxista.
- Mas tu vai achar algo melhor. - tentou agradá-lo o irmão.

Mas já era o terceiro dia desde que Ron havia sido despedido, e ele não conseguia reerguer-se. Mais um dia, e outro, e assim foi. Já haviam se passado 15 dias sem que nosso herói tentasse fazer algo para melhorar. A esposa não aguentou mais. Foi até a emissora e pediu que reconsiderassem a situação dele. Argumentou citando o desânimo e verdadeiro desejo de melhorar demonstrado pelo marido. Acabou sendo levada em consideração.

Ron foi readmitido na empresa. Agora ele é ajudante de cozinha. Ganha um pouco menos, mas se acha ainda mais importante. Encontrei ele ontem. Disparou:
-Ô meu amigo Gustavo! Agora eu posso dizer que, embora não abra portas para o jornalismo, eu dou energia para ele se manter ousado e perseverante.

O Ron é genial mesmo.

postado por: tenfootpole 9:47 PM Fala aí. Terça-feira, Maio 25, 2004

MONSTROS EXISTEM E SÃO PROFESSORES DA PUCRS

A monstra barbuda entrou na sala de aula, para terror da classe. Todos calaram-se e esperaram que o horrível ser falasse algo. Ele iniciou:

- Boa tarde a todos. Me chamo _____e vou lecionar a disciplina de metodologia científica da comunicação. Mas afinal, o que é metodologia científica da comunicación? alguém pode me dizer?(silêncio total) Metodologia científica da comunicación é bem diferente do que vocês pensam(como raios você sabe o que eu penso?)...

E assim a monstra continuou sua exposição. Nesse momento já encontrava-me em outro mundo, aquele no qual professoras desse tipo não entram, o mundo do "Correio do Povo". Só que o bicho estava agitado e não suportou a idéia de ser superada por um jornal. Dirigiu-se a mim inquisitiva:

- Posso saber o que é mais interessante no jornal do que minha aula?
- Ah, nada não professora. Desculpe, agora eu vou prestar atenção.(Vai se foder, qualquer coisa é melhor que tua aula)
- Você não gostaria de falar para turma o que estava lendo? Aliás, era esporte, não?
- Não. Era outra parte, não lembro mais. (Não sabe ler sua burra, era polícia. Pra que servem teus óculos?)
-Ok.

Ela continuou sua aula chata, me usando como exemplo eventualmente. Até que os barrões da turma começaram a fazer bobagens: atirar papéis, ficar se cutucando e não calar a boca. Daí ela tirou eles pra piás de segundo grau. A única atitude positiva e elogiável dessa professora.

postado por: tenfootpole 8:36 PM Fala aí. Segunda-feira, Maio 24, 2004

Falem o que acharam do novo design/logo!

postado por: tenfootpole 9:01 PM Fala aí. Sexta-feira, Maio 21, 2004

ATMANOAH 2

Os dois últimos contos foram fictícios. Aliás, tudo aqui é fictício, a não ser que eu fale o contrário. E tenho dito!
(ISSO NÃO FOI UMA FICÇÃO)

postado por: tenfootpole 5:28 PM Fala aí. Segunda-feira, Maio 17, 2004

Hey, quem disse que tragédia é ruim

A última vez que havia tocado naquele buraco fazia uns dois meses. Prometera nunca mais voltar àquela merda, mas promessa não é dívida. Então, convoquei o resto dos caras e lá estávamos, prontos para entrar no palco. Todos bêbados, ou pelo menos parecendo estar. A verdade é que um estado de ebriedade eterna parece ser o lema da minha banda; borrachos venceremos. Aliás, triunfaremos e conseguiremos tocar cinco notas idênticas em um show de 50 minutos, o que é extremamente descabido quando consideradas nossas qualidades.

Como sempre começa tudo errado. Erramos praticamente toda introdução da primeira música e já se verificam alguns olhares desconfiados. O público nem é tão grande, apenas não é retardado. Eles pagarm três reais para ver 10 bandas ruins, não dez bandas péssimas. Nós tocando primeiro, leva-os a crer que o que virá após será ainda pior. Sou obrigado a dizer que não, estão todos errados. Nada pode ser pior. Tudo pode ser ruim, mas nada consegue nos superar em mediocridade. E isso nos orgulha. o que é mais tragicômico.

Então conseguimos encerrar a primeira música ilesos; tanto fisicamente quanto mentalmente. Nada de berros ou insultos até agora, sinto-me bem, muito bem. Chegou a hora de arriscar algo diferente. Berro palavras de incentivo do tipo: "VAI CHE", "O ESFORÇO COMPENSA" e mais outras que sempre usamos em shows. Parecem não surtir efeito, para variar. Então chegou a hora de abastecer o copo: "BARMAN! CHEGA AQUI, OU MELHOR, TU NÃO PRECISA NEM VIR. SÓ MANDA ALGO PARA SE BEBER". Ele ri da minha cara. Nada novo. Agora estamos nos tornando atração. Um vesgo encostado na parede arrisca: "PUTA QUE PARIU! TOCA ALGO DECENTE. NINGUÉM PAGOU PRA VER ESSA MERDA".

Marcius, o baterista, é temperamental. Não se controla e levanta-se da banqueta indo em direção ao pivete. Dá-lhe um sopapo apenas como advertência. Ninguém defende o garoto, pobre criança vesga. Vamos ao segundo ato! E esse parece estar indo bem, inexplicavelmente. A adrenalina aumenta, os nervos tremem, não da carne, os meus. Então escuto alguns aplausos. Nossa, algo novo em nossa carreira. E o pior é que eles pagaram para nos ver.

Acho que nos empolgamos. Erramos a terceira e a quarta música de forma brusca. Algumas vaias e anseios por parte da platéia. Alguns pedem bandas como "Ranho verde", outros "Joelho de porco", mas não adianta. Agora vocês vão ter que suportar três músicas que nunca ensaiamos, embora tenhamos praticado uma vez apenas, sem baterista. A merda está feita. Todos nos xingam e começam a jogar coisas. O ambiente se torna violento. Garrafas quebradas e todo tipo de líquido. Marcius leva um saco de mijo na cara. Sai que nem um louco atrás do vilão e despedaça o cara. Reunem-se muitos agressores , acho melhor ir embora. Nada supera um show nosso. Convido os caras para uma saideira e durmo. Sonho com narizes voadores.

postado por: tenfootpole 5:08 PM Fala aí. Quinta-feira, Maio 13, 2004

CONTO DE TRAGO

Irrompi no quarto inconscientemente. parecia ter me esquecido que haviam pessoas dormindo nele, ou melhor, me lembrava disso, apenas tive um lapso.
Também, depois de uma noite como essa não há como recordar detalhe tão insignificante. Nossa, acho que bebi demais. As festas do Zowie sempre são as melhores, por mais babaca que ele e seu sobrenome australiano sejam. Aliás, não se deve jamais confrontar o Zowie. Ele vem com aquele sotaque irritante, e aquelas piadas retiradas de humoristas de jornais, as piores.Mas não desafie ele, pense nas festas.

Nessa noite, havia tudo que um ser humano disposto a entorpecer-se necessita. Vinho de primeiríssima qualidade, Champagne francês incomparável, cerveja alemã da melhor, enfim, o cara gastava muito para divertir seus "amigos". Para a galera que curte algo mais pesado, também havia o arsenal ilegal do Zowie, com todas aquelas porcarias: pó, pílulas, anfetaminas, seringas... Eu preferia manter distância dessas coisas, um fininho e eu já tava bem.

Mas voltando à festa em si e saindo dessas particularidades inúteis, eu bebi pra cacete e não dispensei a maldita erva. Quando já estava muito louco encuquei com meu cheiro. Embora tivesse tomado banho, sentia um fedor horrível exalando do meu corpo. Não entendi muito bem essa história de estar fedendo do nada, mas achei melhor ir até o banheiro. Acontece que a casa do Zowie é cheia de portas e acabei entrando numa onde rolava um sexo animal, entre os bichos de estimação do cara. Não pude sair do quarto até ser consumado o ato. Fiquei olhando pelo canto da porta a foda dos cachorros. A cadela ia conduzindo seu macho em uma cruza intempestiva, cheia de latidos e choros. puta que pariu, que noite louca.

Depois de sair daquele quarto, me dei conta de que a maior parte do pessoal já estava nas últimas, apagados ou mortos,sei lá. A verdade é que pouco me importava, a não ser que eu não achasse um banheiro e tivesse que acordar alguém. Decidi ir de quarto em quarto até achar. recebi alguns xingões, mas deparei-me com esse maldito quarto escuro, vendo que havia uma porta em anexo no outro lado dele.Então reparei que haviam pessoas dormindo, em uma ou seis camas. fechei os olhos por uns 10 segundos e agora eram duas ou 7 camas. Merda, afinal quantas camas haviam aqui e onde estavam? Decidi chutar o caminho. Só que dei azar. No terceiro ou quarto passo enrosquei meu pé esquerdo em algo. era cabelo.

Olhei para baixo e focalizei o máximo que pude, identificando uma mulher.E até que era interessante. Não perdi tempo para utilizar uma tática retardada de aproximação. Caí, como se tivesse tropeçado.Ela exclamou algo como "ai, seu grosso!", mas eu nem dei bola e comecei a tentar beijá-la. Ela provavelmente estava pior ou tão mal quanto eu, porque não ofereceu resistência a meu cheiro de ovo. Mas então reparei algo estranho, ela parecia estar gostando do cheiro. Ficava fungando e fazendo um barulhinho chato, semelhante a um zunido. Não aguentei. "Puta Que Pariu! Tu não vai parar com essa bosta de barulho!?".

Tomei um tabefe, mas não dela. As luzes se acenderam e reluziu a pose incômoda do Zowie. Ele tava com aquela cara de sonso e veio tentar me acertar uma. Desviei e virei-lhe uma esquerda no nariz. O sangue jorrou para todo lado, o desgraçado tinha nariz sensível. Tive um inexplicável momento de brio e tentei ajudá-lo. Mas ele não queria ajuda e pulou em cima de mim. Mordi o braço dele e fiquei com um pedaço daquela pele branca e nobre no meio dos dentes. Mastiguei um pouco e cuspi, enquanto ele berrava milhares de desaforos, segurando-se para não chorar.

Não me lembro de mais nada depois disso. Acordei todo torto e cá estou. Acho que vou ter que achar outro lugar para passar as noites.

postado por: tenfootpole 9:31 PM Fala aí. Sexta-feira, Maio 07, 2004

TRAMAS BARATAS

NO CENTRO DO MEIO: GROEHLING (ÚLTIMA PARTE)

O envolvimento sexual e destrutivo iniciou-se na mesma noite. Em um jantar a dois, Thay assinou o contrato e deixou-se levar pela sensualidade de Julia. Depois disso, tudo começou a ruir. As cifras da negociação beneficiavam claramente a rede de hóteis e Groehling parecia não notar. O erro estava feito. A peculiaridade da situação, entretanto, culminou na falência da Ornment - que já estava mal das pernas e mesmo com o acordo favorável não foi capaz de reerguer-se - e com o ultimato de Julia. Thay optou pela mulher, que repentinamente pareceu ter sido canonizada tamanha sua aversão por dinheiro. Assinou inconscientemente inúmeros documentos, cedendo o controle da empresa a sócios minoritários e advogados. O que ele não sabia, é que havia outra minuta. Essa, inutilizava os aspectos da anterior e dava a Julia Sand o comando totalitário da "Rede Groehling: Imobiliária e hotéis".

Conclusão: Melhor acabar por aqui e voltar ao trabalho.

postado por: tenfootpole 4:25 PM Fala aí. Quinta-feira, Maio 06, 2004

TRAMAS BARATAS

NO CENTRO DO MEIO: GROEHLING (PARTE 2)

Tudo começou em uma associação bastante criticada pela consultoria jurídica da "Groehling imobiliária". Nosso personagem, Thay Groehling, decidiu firmar um acordo de cooperação entre a empresa e uma bastante criticada rede de hóteis, a Ornment.Já nas primeiras reuniões evidenciaram-se duas situações bastante alarmantes: Thay parecia estar enfeitiçado pela bela e perigosa dona da rede Ornment, Julia Sand, e também imprimia um ritmo excessivamente afobado à negociação, ignorando cláusulas importantes presentes no contrato.

postado por: tenfootpole 4:45 PM Fala aí. Terça-feira, Maio 04, 2004

TRAMAS BARATAS

NO CENTRO DO MEIO: GROEHLING

Sentou em frente ao computador, com as luzes todas apagadas. A única fonte de iluminação vinha de um quarto a sua direita, pelo menos 6 metros distante. Esses 6 compreendiam 50% do apartamento onde vivia. "São mais do que suficientes", costumava dizer para não deixar transparecer alguma insatisfação. A verdade é que sua vida enfadava-o cada vez mais. Dormia acordado o tempo todo, sempre atormentado por ressentimentos e memórias que preferia não ter. Até mesmo o som intermitente de carros trazia incômodo. Ele tentou se livrar de qualquer tipo de ruído, mas alguma vontade oculta de manter-se ao alcance da civilização desencorajou um deductível exílio. Preferiu continuar na cidade, mesmo que em uma residência de subúrbio.

Ali desfrutava timidamente de suas conquistas, ou seja, de nada desfrutava. Passou muitos anos em contato direto com empresários e políticos, conquistou fortunas no mercado imobiliário. Porém, um dia, uma situação, e tudo evaporou-se. Uma pergunta simples,"eu ou a firma?", uma resposta brusca, "você, sempre você";estava feito o equívoco.

postado por: tenfootpole 5:00 PM Fala aí.  

 

   
copyright fernando satt corrêa