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Segunda-feira, Março 14, 2005 GÓLERO!
Gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!Gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!gólero!
Ufa... me sinto melhor.
postado por: tenfootpole 8:58 PM
Fala aí.
Pertinente - segunda parte
Pertinente não conseguia mais piscar e suava muito. Aline se assustou e saiu pela porta da sala. Pertinente tentou se levantar e seguí-la, mas não conseguiu. Alguns colegas notaram seu estado e começaram a lhe perguntar coisas. Ele ouvia apenas vozes robóticas, ao estilo Darth Vader. Não conseguia falar nem mover um fio de cabelo que fosse. A atenção da turma inteira voltou-se para Pertinente. Passaram-se alguns minutos e a situação continuava a mesma. O professor começou a ficar preocupado. Veio ao encontro do aluno, e dirigiu-se a ele de forma ríspida. De nada adiantou. De repente o inusitado. Pertinente não conseguiu se controlar e soltou um tremendo peido. Risadas generalizadas. A impertinência havia sido cometida. Além de imóvel, Pertinente empalidecera. O serviço de atendimento médico foi socilitado e o protagonista conduzido ao ambulatório. Ele ficou daquele jeito por mais uns 15 minutos. Quando recuperou-se não teve coragem de voltar à aula.
FIM
postado por: tenfootpole 7:20 PM
Fala aí.
Sábado, Março 12, 2005 Pertinente - primeira parte.
Celso Pertinente fazia jus ao sobrenome. Desde pequeno, sempre foi conhecido pelos amigos como um garoto ordeiro e cauto. Jamais tomava alguma atitude incoerente. Era Pertinente até demais, diziam alguns. E a jornada da pertinência não era fácil. Muitas vezes teve que se subordinar demasiadamente para manter a característica, e essa luta era travada a cada dia. Com 21 anos orgulhava-se de nunca ter violado diretrizes de pertinência. Ostentava e gabava-se disso para os amigos, que apenas riam, pois ninguém suportava Celso.
Só que tudo tem um fim - diria um sábio desconhecido ¿ e a pertinência sempre está vulnerável a um momento de insensatez ou afobação. Entre os professores da faculdade de administração, Pertinente era considerado uma dádiva em meio a um bando de suplícios humanos. Sempre fazia questões cabíveis e congruentes, um típico CDF. Mas foi aí que Aline entrou na vida do jovem. Tratava-se de uma caloura, que nem era tão bonita assim. Não chamava muita atenção dos veteranos. Apenas Pertinente foi fisgado de forma incomensurável pelos atributos da garota. Obviamente, ele não era bom com as mulheres, porque sua ânsia por pertinência inibia qualquer atrevimento ou ousadia. Além disso, era tímido e feio. Mas nesse caso, ele sentia-se acuado, sentia-se mal mesmo. Para um tremendo e insistente moderador que era, qualquer ruptura na racionalidade poderia ser o caos, e Aline o foi.
A paixão desenfreada e espontânea pela garota inebriou Pertinente. Ele tinha que agir. Seus músculos retesavam-se, o coração batia mais forte, as palavras escondiam-se. Pertinente nunca sentira nada parecido e estava desesperado. Suplicava pelo imprevisível, uma oportunidade de conversar com a garota, mas ela não surgia. Também não se arriscava, medroso e inseguro.
A grande chance de Pertinente foi também a derrocada de sua pertinência. Aline adiantava uma cadeira e era colega de Celso na sexta-feira. Na terceira ou quarta semana de aula, foi solicitado um trabalho de duplas à turma. Ele ponderou e refletiu, respirou fundo e aproximou-se de Aline. Ficou olhando para ela alguns segundos e recebeu de volta esse olhar. Estancou. A garota começou a ficar assustada com a insistência daquele olhar.
postado por: tenfootpole 12:19 PM
Fala aí.
Terça-feira, Março 01, 2005 DEDOS
Quando meu amigo Inácio contou o que reparara nos últimos tempos não consegui disfarçar a surpresa. Era dia 23 de abril de 2003, exatamente quando meu namoro com Luise completava dois anos. A revelação de Inácio ia de encontro ao nosso relacionamento, pois perscrutava ela. De acordo com ele, Luise tinha um estranho trejeito com os dedos, manifestado em situações de dúvida. Ele ia adiante. Havia reparado a mania em situações nas quais Luise respondia a perguntas sem muita convicção; o que o levara a crer que ela mentia quando fazia o movimento. Tratava-se de uma espontânea e rápida esfregada do dedo indicador no dedão. Rápida mesmo, não mais do que dois segundos. Senti-me estranho. Da mesma forma que a história parecia boba demais para aborrecer-me, também provocava uma desconfiança quanto à sanidade de meu grande amigo Inácio. Onde já se viu alguém adaptar uma reação espontânea à mentira? Sim, eu sei que as pessoas tendem a ter manias e trejeitos quando estão nervosas ou calmas demais, mas quando mentem? Mesmo assim, planejei para a noite uma observação aos modos de Luise, apenas por curiosidade.
Íamos jantar em um desses restaurantes que cobram muito e servem pouco, a pedido dela, obviamente. Como trabalhamos como loucos costumamos nos encontrar nos lugares e, mesmo sendo uma noite especial, essa não fugiria à regra. Cheguei por volta das oito e meia ao tal restaurante. Luise ainda não estava lá. Pedi vinho, dando continuidade a uma tentativa de largar a cerveja. Luise chegou, linda como sempre e meiga como nunca. Quase desisti do plano, intimidado pela beleza da minha garota. Mas surpreendentemente minha curiosidade aumentara nas últimas horas. Começamos a falar sobre amenidades e coisas do dia-a-dia, período em que não reparei nenhuma vez a manifestação da mania com os dedos. Pedimos a comida, - um prato rebuscado de frutos do mar - e mais uma jarra de vinho. A essa altura sentia um pouco do efeito do álcool e Luise também. Os papos foram ficando mais animados e as perguntas corajosas e descaradas.
Depois de trocarmos impressões sobre como nos conhecemos, com algumas discordâncias, furtivamente observei a primeira manifestação do trejeito citado por Inácio. Ele ocorreu quando questionei Luise se ela havia ficado com outro que não eu no período em que éramos apenas ficantes. Ele negou e disse que estava muito apaixonada por mim para beijar outro. Durou cerca de dois segundos a raspada de dedos. Estarreci pelo momento em que ocorreu e perguntei se ela tinha certeza. Ela falou que sim e ficou meio incomodada com minha desconfiança. Decidi deixar para lá, devia ser apenas uma coincidência e ficantes são apenas ficantes. Continuamos conversando sobre nosso relacionamento e tudo que ocorreu nesses anos, o que era inevitável nesse dia. Quando já estava quase esquecendo do trejeito dos dedos ele surgiu em um momento ainda pior. Luise relembrava de um sábado em que foi a uma festa com as amigas e na volta seu carro pifou, obrigando-a a pegar um taxi. Nessa noite, Julião, um antigo e fiel amigo meu, pensou ter visto Luise em um carro acompanhada por um cara, mas disse que estava bêbado e sonolento, e que eu não devia dar tanta bola. Como Julião sempre se caracterizou pela ebriedade, não me importei com a impressão, até pelo fato de que ele sempre via coisas estranhas bêbado. Mas agora, quando ela disse ter utilizado um táxi para chegar em casa e ao mesmo tempo esfregou os dedos, a insegurança voltou à tona. Minha namorada notou minha rápida e quieta reflexão, e perguntou o que estava havendo comigo. Decidi despistar. Acalmei-a com uma frase boba, de que o álcool estava começando a agir. Ela riu e continuamos a conversa.
Quando já passava da uma da manhã e nos preparávamos para ir a algum motel ocorreu a pior ocorrência do trejeito na noite. Nosso diálogo havia esquentado e entramos num terreno extremamente perigoso, sobre pessoas atraentes e traição. Chegamos a nossos amigos e amigas. A brincadeira era arriscada. ¿Com quem você ficaria dos meus amigos, caso não estivéssemos juntos?¿ - questionei-a. Ela retrucou e começou a citar vários nomes de parceiras. Das dez, confessei sentir-me atraído por duas ou três. Estavámos em um momento extremamente honesto de nossa relação e fiz a retórica citando meus amigos. Foram dez nomes e sete manifestações do trejeito, apenas nas oportunidades em que ela disse não. Logo, minha namorada ficaria com todos meus amigos. Fomos além e começamos a falar sobre traição, não a nossa, o que talvez fosse um excesso, apesar da descontração evidente. Três ou quatro opiniões contrárias à traição vieram acompanhadas de trejeitos, para meu desespero. Estava desolado. Fomos a um motel, apesar de tudo. Depois do sexo, me sentia atordoado pelas revelações da noite. Ela foi para casa, pois trabalhava cedo no outro dia, e eu fiquei vagando pelas ruas, angustiado e reflexivo¿.
No outro dia acordei igual, mas comecei a analisar a questão de outra forma. Se o trejeito não é a demonstração prática da traição e das opiniões negativas, por que me importar? O namorou acabou dois ou três meses depois. Ela se mudou para Itália e decidi ficar por aqui e tocar a vida adiante. Muitas vezes antes da viagem observei a manifestação do trejeito, sempre nos momentos de respostas importantes. Sábio foi quem disse que o que os olhos não vêem o coração não sente. Eu senti, mas suportei.
postado por: tenfootpole 7:43 PM
Fala aí.
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