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Segunda-feira, Julho 31, 2006 E o grenal, hein!?
Quem foi ao estádio Beira Rio, ontem, certamente tem pelo menos uma história para contar. Os colorados podem sacanear, e com razão, a vândala e maluca torcida gremista, generalizando, como de costume nesse tipo de situação. Mesmo que saibamos que foi um grupo de torcedores o responsável pela queima dos banheiros químicos, é natural que todos os adeptos do Grêmio sejam submetidos a brincadeiras e achincalhações. Incluo-me no grupo que assistiu de cima, da arquibancada superior, à formação de uma nuvem negra, que impediu, inclusive, por duas vezes, o prosseguimento da partida. Vi com certa insatisfação o desenrolar da cena, embora, a princípio, não estivesse entendendo o que havia sido queimado.
O momento e a atitude desses supostos gremistas envergonhou a torcida e atrapalhou o time. Isso porque o incêndio esfriou a equipe, que, depois de um período de pressão colorada, revertera a situação e voltara a mandar no jogo, como no primeiro tempo. O mais triste é que gremistas vibraram com o fato de estarem causando rebuliço e bagunça na casa do rival. O saldo é negativo para o Inter e, mais ainda, para a reputação de todos os gremistas. Eu, que vou ao estádio desde o tempo que cagava nas calças, estou envergonhado. Mais que isso, não irei mais a clássicos no estádio Beira Rio, mas isso deve-se a outra história.
Tijolos e correria
Pois na hora que eu, meu pai, meu tio e dois primos estávamos deixando o estádio, ganhamos um motivo concreto para não ir mais a jogos entre Grêmio e Internacional. Na saída, após ultrapassarmos o perímetro em que havia acompanhamento da Brigada Militar, tivemos que nos dirigir ao sentido contrário de grande parte da massa, pois o carro estava estacionado no posto de combustíveis em frente ao Beira Rio. Nesse trajeto, ocorreu o infeliz e assustador acontecimento da noite.
À medida que avançávamos, percebia-se uma animosidade entre colorados e gremistas. Um grupo de torcedores do Inter estava claramente disposto a vingar os danos causados no estádio e traduzi-los em danos aos gremistas. Um dos meus primos foi covardemente abordado por cerca de 5 colorados, inequivocamente dispostos a espancar o guri. Depois de um tapa na orelha, foi iniciada uma correria. Meu tio, meu pai e meu primo partiram em velocidade atrás dele. Nesse ambiente conflituoso, fiquei aterrorizado e hesitante em relação ao que fazer.
Podia ter corrido junto com eles, mas fui abordado por outros dois colorados, que, definitivamente, não estavam a fim de conversar. Então foi a minha vez de correr, mas em direção distinta da dos meus familiares. Quem me conhece sabe que velocidade é o meu forte. Por isso, em uma arrancada decidida, deixei para trás os marginais, que acabaram desistindo. Eles ainda atiraram um tijolo ou uma pedra, mas, felizmente, não eram bons de pontaria (provavelmente afetados pela cachaça). Cheguei ao posto onde estava o carro e me postei ao lado da bomba de gasolina, fingindo que trabalhava ali. Testemunhei algumas agressões covardes em frente ao local. Colorados batendo em gremistas. Cinco para um, em média. Vergonhoso e lastimável.
Meu primo acabou escapando praticamente ileso. Mas um tijolo atingiu-lhe o braço. Poderia ter sido a cabeça.
Gostaram das imagens? hehehehe. Abs.
dito por: Gustavo 11:25 AM
Diga-me.
Quarta-feira, Julho 26, 2006 O Fernandão anda mandando bem lá no seu território. Extraí de lá uma sacada bacana. O guri anda com boas idéias em relação a questões sociais. Vale a pena visitá-lo.
os homens sobem no ônibus
que para pra quem mostra o dedo
e para sempre ao fim da linha
que é sempre também o começo
daqueles que já vêm cansados
e sobem de cabeça baixa
atravessam fora da faixa
levam na carteira uns trocados
e bebem um copo de cachaça
e choram e riem da desgraça
e voltam no escuro pra casa
e dormem a noite abreviada
são homens que acordam cedo
levantam a mão para o ônibus
e abaixam a voz pro patrão
e descem o braço nos fihos
pois têm a esperança no chão
andam nos seus tortos trilhos
aceitam sua condição
são homens que não pensam muito
porque é perda de tempo
pois o ônibus
vem sempre na mesma hora
FERNANDO CORRÊA
dito por: Gustavo 2:40 PM
Diga-me.
Terça-feira, Julho 25, 2006 Diálogos forçados, mendigos e repórteres
O motim teve início em frente à empresa. Dezenas de funcionários, revoltados, bradaram por horas a fio. Debaixo de uma marquise, sentado, um mendigo assistia, impassível, aos berros incessantes do mutirão. Era o único que se mantinha imperturbável diante da agitação que tirava o sono de muitos naquela fria manhã de quarta-feira.
O protesto tornou-se mais contundente. Ao que, a princípio, era um grupo gritando e entoando letras de protesto, somaram-se indivíduos armados com pedras e garrafas. O que os incomodava, no entanto, não eram os litígios entre funcionários e patrões, e sim a barulheira que perturbara significativamente o sono da manhã. Era a vizinhança incomodada, sublevando-se contra os arruaceiros.
Formou-se uma verdadeira batalha campal. Não havia armas de fogo, ainda bem, mas pedras e garrafas estão longe de ser inofensivos. Uma jovem funcionária, aparentando não mais que 30 anos, foi a primeira vítima. Uma pedrada atingiu-lhe a orelha esquerda, provocando um sangramento significativo na região. Colegas de trabalho surtaram e responderam aos moradores com a mesma violência. Pouco tempo depois, havia pelo menos 10 pessoas feridas, mas nenhuma com muita gravidade. A confusão persistia, e a chegada da polícia exaltou ainda mais os manifestantes.
Passaram-se 30 minutos até que a situação fosse normalizada e o protesto encerrado. O presidente da empresa marcou uma reunião com a cúpula do sindicato, prometendo soluções para o que eles reivindicavam.
Treze pessoas foram hospitalizadas e liberadas algumas horas depois do ocorrido. O mendigo manteve-se no mesmo lugar durante toda a batalha. Uma repórter de televisão percebeu a presença do indiferente espectador e decidiu tentar entrevistá-lo. Aproximou-se e perguntou:
- Tudo bem, senhor? Posso lhe fazer algumas perguntas sobre a manifestação em frente à empresa X?
O mendigo continuou sentado. Raciocinou por algum tempo e respondeu:
- Me desculpe, moça, mas sou avesso a entrevistas. Se tiver vontade, porém, posso lhe oferecer uma xícara de chá. Que tal?
A repórter não conseguiu disfarçar a surpresa, e o cinegrafista que a acompanhava também. Os dois olharam-se com estranhamento. Ela se recompôs e replicou:
- Ok. Se o senhor falar sobre o incidente, os protestos, pode ser. Combinado?
O mendigo coçou o cabelo com vontade e, em seguida, disse:
- Desculpe-me. Não concedo entrevistas.
A repórter, com a expressão desanimada, sentenciou:
- Então não haverá nada entre nós ¿ nem mesmo uma xícara de chá.
dito por: Gustavo 2:39 PM
Diga-me.
Quinta-feira, Julho 20, 2006 Consumo
Comprei alguns cds e preciso ir até uma agência do Bradesco para realizar a transferência e garantir o negócio. Como ando extremamente visual, coloquei os jpg para vocês darem uma olhada. As aquisições foram feitas no punkshop e devem chegar em um período de 3 a 15 dias, a partir do momento em que for confirmado o pagamento.
Algumas linhas sobre os cds e dvd:
1. Bodyjar - Time To Grow Up
Banda de hardcore melódico australiana a qual nunca dei a atenção merecida. Lembram um pouco Face to Face na fase inicial, com melodias e letras calculadamente pesadas e dançantes. Adoro os timbres de hits como ¿Too drunk to drive¿ e ¿You¿re not the same¿. Certa vez, baixei uma coletânea interessante dos caras, chamada ¿Jarchives¿. Escutei-a prazerosamente por alguns meses e não procurei mais nada. Estou recuperando o tempo perdido.
2. Reffer ¿ Interference
Escutei algumas músicas do Reffer não faz muito tempo e achei bacana. A banda não existe mais, mas ter um CD serve até mesmo para conhecer melhor e formar uma opinião sobre eles.
3. Weezer - Video Capture Device (DVD)
Tenho alguma implicância com o Weezer em função da repetição freqüente de determinadas fórmulas. Gosto de muitas coisas deles, mas, ultimamente, não consigo mais apreciar aquela simplicidade pop rock que eles mantêm em todos os discos. Ouvi diversos elogios a esse DVD e não resisti à tentação. Uma homenagem a um gosto antigo.
4. Sugar Kane - Rudimentar - B.Sides 1997|2005
A demo desses caras, do tempo em que eles ainda cantavam em inglês, está toda nesse álbum ¿ lançado agora, em 2006. Uma excelente aquisição que poderia ser destinada especialmente a fãs inveterados dos caras (o que não sou), mas chega também ao público que quer um álbum com capa, bonitinho, da melhor fase do Sugar Kane: quando eles ainda compunham em inglês.
5. Nada Surf - Let Go
Minha banda preferida, atualmente. Melodias criativas, grudentas, guitarras pesadas e melódicas, composições e letras inteligentes ¿ eles possuem todos os elementos de uma grande banda pop. Quatro CDs distintos, e nenhum deixa a desejar. Let go é o início de uma fase mais digerível que ainda arriscava composições com 6 minutos de duração. Ouçam Killian's red, Inside of love e No quick fix: uma aula de como fazer pop rock alternativo de qualidade.
dito por: Gustavo 2:14 PM
Diga-me.
Segunda-feira, Julho 17, 2006 Diário de um velho louco - Jun'ichiro Tanizaki
Você já perdeu algum tempo pensando em como será a sua vida daqui a 50 anos? Se eu ainda estiver vivo, terei 72 e estarei na chamada terceira idade. Como farei para me divertir? O que entretem os idosos?
Pensando nisso, quando vi em uma comunidade do orkut a sugestão de um livro chamado "Diário de um velho louco", de Jun'ichiro Tanizaki, vislumbrei a possibilidade de responder a essas perguntas. Tenho carinho pela literatura japonesa desde que li duas obras de Haruki Murakami ("Dance Dance Dance" e "Minha querida Sputnik") e decidi dar uma chance a esse outro nipônico. Confesso que me decepcionei um pouco. Não com Tanizaki, que é um bom escritor, que resgata e explica bem as situações diárias vividas por um idoso à beira da morte. Decepcionei-me com a velhice.
A história que se passa na obra é excelente. Um velho impotente que ainda possui desejos sexuais se apaixona pela nora e, apesar de não ter vigor para atingir qualquer tipo de ereção, nutre um fascínio irremediável por ela, que põe, inclusive, a sua saúde física e mental em risco. O patriarca dos Utsugi fascina-se com os pés e revela tendências sadomasoquistas em relação a Satsuko, esposa de seu filho, Jokichi. Pois o dia-a-dia deste velho é retratado por Tanisaki com fidelidade. O problema, no entanto, é a falta de carisma do personagem. Acredito que isso não se deva a uma pobreza descritiva do autor. Não caí de amores pelo livro e pelo modo que ele o conduz, mas o japonês prepara um bom feijão com arroz e sabe a hora de encerrar a vida do protagonista e, conseqüentemente, a obra.
A grande decepção foi a velhice, escrita de forma nua e crua, com sua falta de tempero. Confesso que hoje, ao acordar, pensei nela como um insosso Pós scriptum. Provavelmente não serei um velho como Utsugi, o protagonista de ¿Diário de um velho louco¿, mas prevejo a mesma falta de perspectivas que ele. Em um momento em que a vida se resumirá a dores e médicos, qual será o meu passatempo ¿ que irá me prover de forças e ânimo para ir em frente e esperar a iminente morte?
Utsugi achou Satsuko e enlouqueceu antes de morrer. Por mais esdrúxulas que suas fantasias parecessem, ele soube cultivá-las e valorizá-las até o fim. Agarrou-se a elas como se fossem um apetitoso sorvete de creme com calda de chocolate.
Talvez seja melhor morrer antes dos 60.
Esse da foto abaixo é Charles Bukowski, um idoso que achou seu reduto no trago e desfrutou os últimos momentos de sua vida bêbado como na juventude.

dito por: Gustavo 1:30 PM
Diga-me.
Quarta-feira, Julho 12, 2006 Olha que bacana:

dito por: Gustavo 2:09 PM
Diga-me.
Estou escrevendo uma narrativa longa. Pelo menos é o que parece. Mas, estranhamente, acabei desenvolvendo a história inconscientemente, sem planejamento. As idéias vinham e eu dava um novo caminho para a trama. O que aconteceu foi que cheguei a um ponto em que não me agrada mais o que está acontecendo. Não se parece nem um pouco com o tipo de literatura que eu gosto. Enfim, se a crise criativa perdurar, provavelmente publicarei o texto inteiro aqui.
Meu lado jornalista está ficando mais fraco e estou me tornando um assessor de imprensa viciado em anúncios publicitários que ambiciona um futuro como ¿adevogado¿.
Onde eu vou parar, hein!?
Hoje, de volta à poltrona para assistir futebol. Dessa vez, sem seleções milionárias na parada. Tudo volta a ser como era antes. Vibrarei com os modestos do Mano Menezes, que terão uma parada duríssima ¿ a indigesta equipe do São Paulo.
Dizem por aí que tranqüilizantes deixam a pessoa meio ¿mole¿ no ar: http://www.youtube.com/watch?v=kKQAAAmPhtQ&search=fernando%20vanucci
Youtube é a invenção da década. Depois do messenger, do orkut, do emule, do soulseek e do last.fm (ok, tem o my space também), é o meu vício predileto.
Sou o mais novo especialista em análise e conhecimento de sites publicitários. Vou escrever uma nova monografia, apenas como passatempo, sobre o assunto (até parece).
Eu adoro bolacha água e sal, mas nunca mais tentarei comer três delas, sem beber água, em menos de 1 minuto e meio. Pago 1 real para quem conseguir.
Alguém está interessado em comprar cromos autocolantes do álbum da copa de 2006?
Até mais.
dito por: Gustavo 2:03 PM
Diga-me.
Sexta-feira, Julho 07, 2006 O helicóptero da Globo tem atrapalhado o sono alheio.
dito por: Gustavo 4:26 PM
Diga-me.
Não aguento mais essa obsessão da mídia pela selação brasileira - essa busca incessante pelos motivos que a levaram ao fracasso e à prematura desclassificação na Copa 2006. O pior é que, agora, resgataram uma história antiga, também relacionada ao selcionado canarinho. Lembram em 1998, quando o Nazário teve um piripaque no vestiário, o Brasil entrou em campo abalado e foi humilhado pela França? Tantas versões sobre o que ocorreu naquela oportunidade foram discutidas. falaram que a Copa foi comprada, que a Nike obrigou o fenômeno a entrar em camp, enfim: uma quantidade imensurável de boatos e fatos de procedência duvidosa, com talento para histórias de pescador. Agora surgem nova justificativas. Dizem que houve quebra-pau no vestiário e citam valores da negociação entre Nike e CBF, com participação até mesmo do Governo Francês.
Sinceramente, eu não aguento mais nessas bobagens. Por que sempre que nossos brilhantes atletas são derrotados apelamos a justificativas e não conseguimos acreditar na derrota pura e simplesmente pelo fato de termos jogado mal e merecido essa sorte? Em 98, Ronaldo teve algum tipo de problema e foi obrigado por um contrato a entrar em campo, mas ele o fez porque julgou ter condições.
Em 2006, o Brasil não jogou bosta nenhuma e todos são culpados. Chega de tentar individualizar tudo e eleger vilões para um esporte primordialmente coletivo. A seleção basrielira é composta por uma galeria de etsrelas milionárias, que não se importam com o país em que viveram e as maltratou. São provenientes de classes humildes, em sua maioria, e não tiveram condições dignas na infância. Cresceram na profissão por mérito e sorte, mas não acredito que sintam tanto carinho por um país que não proporcionaria a elas um destino favorável se não tivessem o talento para jogar bola. Ronaldinho Gaúcho não se apega a nada, apenas a cifras ¿ é óbvio. Já demonstrou isso quando deixou o Grêmio naquela polêmica transfrência endolarizada para o PSG.
Vamos perder por nossa incompetência. Chega de ser coitadinho.
dito por: Gustavo 4:23 PM
Diga-me.
Terça-feira, Julho 04, 2006 Pois então
Acabei a faculdade. Digo, ainda tenho uma aula, parece, mas a monografia já foi feita e aprovada pela banca com uma nota bacana: 9,5. Podia ser 10, mas também cairia bem um 9. O 9,5 é uma nota justa, modestamente.
Voltei para a Competence mais maduro e consciente. Estou gostando dos primeiros dias e das pessoas daqui ¿ diria que mais do que da outra vez. Existe a possibilidade de iniciar a faculdade de direito no segundo semestre, mas terá que ser devagarinho, pelo menos no primeiro semestre (consegui apenas ingresso no turno da manhã).
Só para constar: pretendo escrever algo mais interessante aqui nos próximos dias.
dito por: Gustavo 1:13 PM
Diga-me.
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