|
ten
foot pole
lagwagon
no use for a name
strung out
pennywise
nada surf
beerbong
fat wreck chords
kung fu records
wikipedia
nme
last.fm
portal do leitor
omelete
zona punk
punknet
paul auster
haruki murakami
coletiva
blue bus
vox news
adonline
alessandro garcia
gustavo cavinato
cris espinoza
mari mtb
marcos chavarria
nayara
vitor hausen
salimar salib
bad gabi
romano corá
paulinho coiote
fernando corrêa
|
Sexta-feira, Setembro 29, 2006 No domingo, às 6 horas da manhã, tem início o calvário eleitoral. Eu acho legal o processo de eleições, as provocações nas ruas, os militantes bêbados, a contagem de votos, etc. Mas esse ano não vai ser a mesma coisa para mim. Para quem não sabe, nestas eleições, serei um animado segundo mesário na zona eleitoral 114, seção 302, no colégio Leonardo da Vinci Beta. Nunca esse nome de bairro fez tanto sentido para mim.
Às 7 horas tenho que estar lá. Ainda não decidi se irei ou não sair na noite de sábado, mas tenho a impressão que sim. Logo, estarei exausto na minha primeira experiência como mesário (primeira porque dizem que depois que pega uma não escapa de outras). Provavelmente, na segunda-feira, terei algumas histórias bacanas para contar. E sono, muito sono.
dito por: Gustavo 4:16 PM
Diga-me.
Segunda-feira, Setembro 25, 2006 Vamos salvar o PV
A corrupção me assusta. Fica sempre um resquício de desconfiança quando lidamos com política e tem aumentado agora, quando aproxima-se o dia das eleições. Já tenho meus candidatos definidos e não acredito que possa mudar de idéia até o domingo (quando serei um empolgadíssimo 2º mesário). Não quero influenciar ninguém a determinado voto para governador, presidente ou senador, porque nenhum candidato me agrada plenamente. Para deputado federal, no entanto, gostaria que todos pensassem nas praças, no clima e nas florestas, degradados diariamente sem pudor.
O propósito do Partido Verde é louvável, e a perspectiva de que eles sejam extirpados é atemorizadora. Precisam de 5 milhões de votos para Deputado Federal, pois só assim conseguirão evitar a extinção. Portanto, não custa nada destinar aquele voto indefinido para deputado federal a um dos candidatos do PV. Se quiserem conhecer melhor o meu, que é o Professor Philomena, acessem o blog do cara. Também vale acessar o site do PV e o do PV gaúcho.
dito por: Gustavo 12:11 PM
Diga-me.
Sexta-feira, Setembro 22, 2006
Dois Irmãos, de Milton Hatoum, consistiu em uma tentativa de valorizar a literatura nacional, que venho rejeitando há bastante tempo. Nada melhor que iniciar o resgate do que é escrito atualmente aqui no país com um autor que recentemente faturou um Prêmio Jabuti, de excelente reputação nacional e internacional. Confesso que não me arrependi.
Trata-se de um romance emocionante. Da mesma forma que conta a história de Haqub e Omar, dois irmãos que nutrem um ódio incontrolável um pelo outro, explicita as contundentes mudanças econômicas ocorridas no período em que a trama se desenvolve, na primeira metade do século 20. Leitura envolvente e repleta de minúcias e contrastes entre os personagens principais.
dito por: Gustavo 11:36 AM
Diga-me.
Segunda-feira, Setembro 18, 2006 Duckman
Chegou até a sala de espera distraidamente e sentou-se sem olhar para o lado. Uma mesa baixa era ocupada pela secretária, completamente absorta em uma revista de fofocas e uma aparentemente insossa xícara de café. Possuía um tique engraçado de ajeitar os óculos a cada trinta segundos.
Pedro ajeitou a calça para que suas meias não ficassem aparecendo. Riu baixinho da intrigante atendente, mas percebeu à sua esquerda, em uma das cadeiras disponibilizadas aos clientes, algo que chamou-lhe muito mais a atenção. Um ser de não mais que um metro e sessenta, trajando uma fantasia de pato, lia tranqüilamente um bloco sem qualquer inscrição na capa. Pedro pensou: ¿foi-se o tempo em que os consultórios eram freqüentados por pessoas com roupas normais¿.
O pato estava imerso profundamente em rabiscos escritos no pequeno bloco de anotações. Pedro tentava inutilmente lê-los, tamanha era sua curiosidade em relação a essa incomum figura. Aventou a possibilidade de iniciar um diálogo com o ser, mas desistiu, desencorajado pela própria timidez. ¿Por que um cara sairia às ruas fantasiado de pato?¿, questionou-se.
Uma vozinha fina, repentinamente, dirigiu-se a ele. ¿O que está olhando?¿, perguntou o pato. Pedro surpreendeu-se. Apesar de possuir características físicas masculinas, não poderia ter certeza sobre a sexualidade de quem o emitia, pois o timbre era muito agudo. Pedro respondeu laconicamente: ¿nenhum motivo especial. Apenas curiosidade¿. O pato fez um estranho gesto com as mãos, movimentando-as em círculo sob a cabeça. Depois, bateu os pés ¿patas¿ violentamente contra o chão, despertando a atendente trejeitada de seu torpor futriqueiro.
¿Senhor Pato, quantas vezes já lhe disse que escândalos não condizem com este ambiente?¿, perguntou calmamente a secretária. O pato calou-se por alguns segundos, interrompendo a bateção de pés, mas não conteve-se e replicou: ¿Vejamos quantas vezes sou observado diriamente. Não sou uma obra de arte, que pede a apreciação. Sou um homem, um ser humano. Constam nas minhas conclusões, ou não? Sempre é igual¿. Tanto Pedro quanto a secretária não compreenderam a fala do pato, mas ela pareceu bem menos impressionada. Apenas riu baixinho e pediu que ele se acalmasse. Mas o pato estava enlouquecido.
Levantou-se e proferiu um discurso incompreensível sobre o respeito que todos lhe deviam por tudo que fizera pelo planeta. Pedro estava boquiaberto, mas não conseguia falar nada. O pato passou 15 minutos falando, sem deixar de movimentar os braços bisonhamente e bater os pés um contra o outro e, às vezes, contra o chão. De repente, sentou-se, retornando a seu bloco de notas. Fui chamado, então, pela secretária para minha consulta com o dermatologista.
dito por: Gustavo 6:41 PM
Diga-me.
Quinta-feira, Setembro 14, 2006 Taxistas e escritores profissionais
Nada contra os taxistas espalhados pelo Brasil, mas li uma matéria na Aplauso que me assustou. Fala de um curso para escritor que a Unisinos está inaugurando no país. A idéia de possuir um diploma de escritor parece meio esdrúxula, mas o raciocínio de Charles Kiefer, nesse período turbulento em que me encontro, no qual o futuro parece tão indecifrável, foi o que mais me tocou na reportagem.
Ele cita os taxistas-advogados, taxistas-médicos e, futuramente, os taxistas-escritores ¿ egressos do curso em questão. Lembrei de uma vez, quando estava no início da faculdade, que ao tomar um táxi, fui acompanhado por um motorista diplomado em engenharia. Nada contra os taxistas, mas é tão irônico despender tanto tempo e dinheiro para acabar transportando passageiros 12 ou mais horas por dia. Não quero isso para mim. Com o que ganho atualmente, acredito que alguns taxistas estejam em vantagem, mas, afinal, onde está a profissão capaz de me prover sustento, satisfação pessoal e algum conforto no futuro?
Por outro lado, me sinto bem por estar consciente desse contexto brutal a que somos expostos no momento em que deixamos a faculdade. Fico esmiuçando idéias na minha cabeça e tentando identificar uma alternativa para os próximos meses. Não gosto dessa acomodação que é o primeiro emprego pós-faculdade. Não vejo na Competence perspectivas de crescimento,e o trabalho que faço aqui parece tão mecânico e inflexível, como se eu fosse uma pedra em meio a diamantes. Uma pedra pesada que não pode sequer ser arremessada e sentir o vento e a liberdade de voar.
Vou agüentar mais um pouco, mas com os olhos incidindo insistentemente no inclemente mercado de trabalho.
dito por: Gustavo 11:10 AM
Diga-me.
Segunda-feira, Setembro 11, 2006 A "bundonalização" do futebol profissional
Fifa pretende reunir Zidane e Materazzi para reconciliaçao 16:00 A Fifa estuda promover um encontro de reconciliaçao entre Zinedine Zidane e Marco Materazzi. Pretende que os dois jogadores conversem sobre a cabeçada de Zidane em Materazzi na final da Copa. O local pode ser Robben Island, na Africa do Sul, onde Nelson Mandela esteve preso por 27 anos. O país é a sede do proximo mundial, em 2010. Noticia da Reuters. 11/09 BBI
Extraí essa notícia do Blue Bus e fiz aquela tradicional expressão de "nada a ver". Futebol é jogo para discussão, inevitavelmente. O que impressionou nesse caso específico foi o fato de ter ocorrido numa final de Copa do Mundo e, de quebra, envolvido um dos jogadores mais admirados da história do futebol. Apenas por isso teve repercussão tão significativa. Mas ponderemos:
1) Alguém se feriu gravemente?
2) Alguém saiu dando cabeçadas por influência do Zidane?
NÃO.
Sério: eu lembro apenas de jogos eletrônicos tôscos em que você podia cabecear o Materazzi e de uma série de "supostas" dublagens do que eles realmente teriam falado. Fodam-se. Os games eram divertidos por alguns minutos. As insinuações não passaram de conjecturas infundadas.
Então, deixem os caras em paz. O Zidane com sua altivez e vaidade, e o Materazzi com sua malandragem. Não há vilões nesse caso, apenas seres humanos.
Acho que a FIFA está levando esse negócio de fair play a sério demais... Lamento muito essa excessiva rigidez no tratamento a esse tipo de situação. Ela respinga nas vertentes da FIFA, como a CBF e a FGF. Hoje em dia, chamar um torcedor de macaco aqui no Sul é escandaloso, dependendo do ouvinte. O que é uma sacanagem em relação a uma raça subdesenvolvida, sem qualquer alusão à cor da pele, passou a ser visto como uma pungente demonstração de racismo.
Vamos deixar o politicamente correto de lado um pouco, hein?
dito por: Gustavo 6:53 PM
Diga-me.
Sexta-feira, Setembro 08, 2006 Digital junkies
Saiu uma matéria interessante sobre a tal geração digital na última revista Void. Para quem não conhece, a revista é distribuída gratuitamente para jovens de classe A e B em bares, restaurantes, academias e centros acadêmicos da moda. Tem uma série de matérias daquelas que vale a pena ler ao cagar ou na sala de espera do dentista. Já li muitas coisas que não me agradaram, mas, volta e meia, aparecem umas reportagens interessantes.
E essa, intitulada ¿Digital junkies¿, é uma delas. Acredito que tenha sido o Thomas Selistre que a escreveu, mas posso estar errado. Conheço o cara, que foi meu colega de italiano, e ele tem um bom texto. Bom, sem mais enrolação, retorno à matéria sobre os junkies digitais.
A interpretação do redator é muito interessante. De acordo com o que está escrito, a parcela mais abonada de quem nasceu dos anos 90 em diante não sabe como é a vida sem acesso a Internet. Até os 15 anos, não lembro de ter me valido desse meio para nada. Minhas diversões, quando pequeno, consistiam em partidas de botão, jogos eletrônicos rústicos (Atari, Master System) e partidas de futsal com 13 jogadores para cada lado. Nossa, como era divertido! Não trocaria a minha infância e suas formas de entretenimento por nada. As crianças de hoje em dia podem até se entreter com algumas dessas brincadeiras, mas assume valor inquestionável em sua formação a presença dos chats e sites de relacionamento.
Aos 12 anos, já estão no orkut, mostrando-se ao mundo. Note que, com isso, muitas características antes restritas ao período da adolescência ou depois, passam a ser observadas em crianças. Maluco, né? Poderia falar bem mais, mas vou me ater ao fato de que também sou um viciado em Internet, só que a partir dos 15 ou 16 anos. Antes, tive a infância lúdica e saudável que todos deveriam ter. Cara, estou ficando velho.
dito por: Gustavo 10:05 AM
Diga-me.
Sexta-feira, Setembro 01, 2006
Esmorecido ¿ Norwegian Wood
Descobri, hoje, conversando com algumas colegas de trabalho, que estou me tornando o que leio. Tudo começou em um papo sobre relacionamentos: os caminhos do namoro e as curtições de uma noite. Expus todas as minhas opiniões de que relacionamentos são fórmulas pré-concebidas para o fracasso, que não há esperanças no envolvimento entre duas pessoas. Aos poucos, fui prestando atenção no que estava dizendo. Era um discurso desiludido e desmotivado. Como se Mersault, de Camus, Bandini, de Fante, ou Toru Watanabe, de Murakami, se apropriassem de um único corpo e deliberassem a forma como ele vive.
Ontem, li por horas a fio ¿Norwegian Wood¿, de Haruki Murakami, e a considerei uma das melhores obras a que tive acesso desde a minha infância. Não é à toa que milhares de japoneses cultuam Murakami, pois ele é um magnífico escritor. No entanto, relacionando esse título ao meu atual estado de espírito, reparei que o protagonista, Toru Watanabe, tem conseguido contagiar-me de tal forma que interfere no meu jeito de ser e pensar. A vida de Toru é uma seqüência de desgraças, preenchidas, porém, por lastros de esperança. O suicídio de seu melhor amigo dos tempos de infância possibilita seu envolvimento com a ex-namorada do falecido, Naomo. Mas ela sofre copiosamente pela morte de seu amor, o que a torna emocionalmente instável e descontrolada. É internada, porém, antes disso, envolve-se com Toru.
Toru está apaixonado por ela, mas não pode vê-la. Envolve-se com outras garotas durante este período, embora visite Naomo algumas vezes, o que apenas intensifica sua paixão por ela. Não vou contar mais que isso, pois não pretendo enfraquecer a pungente seqüência de acontecimentos e surpresas que é Norwegian Wood. Trata-se de uma obra-prima de Haruki Murakami ¿ uma verdadeira punhalada no coração, até mesmo dos mais duros. Percebi o quanto fui contaminado por os autores que tenho lido. Me sinto preso, como se houvesse cordas amarradas em volta da minha barriga. Ainda bem que é sexta-feira.
dito por: Gustavo 9:52 AM
Diga-me.
|

|