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Se você me pedir para falar um pouco sobre como sou e o que faço, provavelmente não será interessante. Esse site é 99% fictício, e o 1% restante pode ou não ser verdade.

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Segunda-feira, Outubro 30, 2006

As soluções não lhe vinham à mente com antes. De um incensado profissional de criação, ele passava a ser mais um redator burocrata na praça. Parecia condenado ao fracasso e descia como um cometa em direção à definitiva decadência. Precisava de uma idéia maravilhosa ¿ algo que o elevasse à sua condição de gênio criativo ¿, mas ela jamais surgia. Debruçou-se horas a fio sobre um problema de um grande anunciante. Recebera de seu chefe um ultimato. A pressão do cliente era enorme e não havia espaço para equívocos desta vez. A arma estava engatilhada com apenas uma bala, que não podia ser desperdiçada.

O prazo já estava se esgotando: restava apenas mais uma noite. 20h30min. 21h. 22h. Nada. 22h40min. Nada. 24h. Ainda na agência, esperava pela inspiração que omitia-se. Folhou jornais e revistas, assistiu insistentemente a programas de TV e também buscou auxílio nas canções que mais gostava. Nada. Vasculhou seus arquivos no computador e no portfólio. Nada. Então, quando já passava das 3 horas da madrugada e o expediente começaria em 6 horas, desistiu. Foi para a casa dormir e nunca mais voltou à empresa. Mesmo que muitos tenham argumentado que o mercado ainda o amava e ele tenha recebido ofertas interessantes de boas agências, não conseguia suportar a angustiante dor do fracasso. Desestimulou-se completamente. Hoje, pode ser encontrado perambulando pela cidade. É sustentado pelos pais, e é difícil encontrar outra pessoa tão triste quanto ele.

dito por: Gustavo 2:58 PM Diga-me. Quinta-feira, Outubro 26, 2006

Na pior



¿Na Pior em Paris e Londres¿ é um daqueles livros que atormentam, pois expõe uma realidade brasileira, apesar de se passar na França e na Inglaterra do final da década de 20. Mesmo não possuindo um enredo que nos deixe ansiosos em relação ao desfecho, pois é improvável que ocorra algo capaz de surpreender, descreve uma circunstância social com veracidade e minúcia. No livro, Orwell conta uma parte de sua própria vida com alguns toques de ficção. Assumindo um pseudônimo, relata o período em que viveu na penúria, mendigando em Paris e Londres.

Caracteriza a vida dos pedintes com a experiência de quem esteve entre eles. Descreve a sensação de passar fome com a esqualidez do pretérito ainda presente em sua memória. Reflete a respeito da controversa indignação que acomete os mendigos quando conseguem obter a famigerada esmola. No fundo, o Brasil proporciona a todos a possibilidade de despencarem no abismo social. Um grande investidor pode perder tudo, inclusive os falsos amigos. Aqueles que pouco tem arriscam seus parcos recursos diariamente, percorrendo o limite entre o humilde sustento e a implacável miséria.

Neste período em que não comeu sequer o pão que o diabo amassou, Orwell aprendeu a apreciar uma refeição. O livro mostra as situações vividas por ele e as humilhações a que precisou se submeter para subsistir. A subsistência, por sinal, é a luta diária para muitos de nós, pois, querendo ou não, todos mendigos da cidade são seres humanos assim como tu e a tua família, bundão. Leiam ¿Na Pior em Paris e Londres¿ e, se gostarem, comprem outro do Orwell que compensa: ¿1984¿.

dito por: Gustavo 4:24 PM Diga-me. Segunda-feira, Outubro 23, 2006

ATITUDE

Coloquei ali em cima uma fita da campanha Atitude, do Sebrae/RS. Pura adulação, eu confesso, mas gostei da idéia desse projeto de comunicação deles. Vale a pena conferir.

dito por: Gustavo 6:38 PM Diga-me. Sexta-feira, Outubro 20, 2006

Amanco

Estive pensando a respeito dessa marca de tubos e conexões, a Amanco, que investe bastante em propaganda e, consequentemente, produz alguns jingles daqueles que grudam (AmancÔ! AmancÔ!). Como sou ouvinte da Gaúcha há bastante tempo, o nome é extremamente familiar, apesar de não ter tido nenhuma experiência com o produto.

No desencannes, tradicional festival de pérolas publicitárias, esta peça foi a grande vencedora:



A Amanco apresentou sua nova campanha publicitária, criada pela DM9DDB. O filme reforça a mensagem de que o consumidor brasileiro tem a opção de escolher na hora de comprar tubos e conexões. O filme estréia nesta quinta-feia (19), às 21 horas, durante a novela Páginas da Vida, na TV Globo. Além do filme, a campanha conta ainda com inserções em revistas especializadas, rádio e jornal. A criação é de Rodrigo Mendes e Sergio Matsunaga. A direção de criação é de Sergio Valente, Júlio Andery e Felipe Cama. A produção é da Dínamo Filmes e a o diretor é Edu Cama.

20/10/2006 - Propaganda & Marketing online - SP

dito por: Gustavo 3:51 PM Diga-me. Sexta-feira, Outubro 13, 2006

Rapidinhas

- Tentei atravessar a porta de vidro que dá acesso à sala onde trabalho. Distraidamente, estava lendo um texto recém impresso e esqueci da existência da maldita. Todo o andar ouviu o estrondo, mas, felizmente, nem eu nem a porta saímos feridos.

- Que grande palhaçada essa história de pegar no pé do Alckmin através da ocupação da filha e dos vestidos da esposa. E o tucano não ficou atrás ao baixar o nível no debate, que nem comentei nada a respeito, mas o povo ainda aguarda uma discussão focada nos problemas do país e não em abobrinhas e ofensas pessoais. Voto nulo ou branco? Melhor não. Vou acabar votando no barbudo por interesse empresarial. Quem não tiver candidato e quiser me dar uma força, joga no 13. Se não melhoraremos o país com esses candidatos, podemos, como consolo, ajudar nossos amigos.

- Conheci um pouco melhor a zona norte, ontem. Nem sabia que depois do shopping Lindóia existe alguma coisa, mas há bastante vida e comércio para aqueles lados. Pega a Assis Brasil e vai. Será um dia de descobertas, certamente.

- Estou a fim de comprar um tênis e pensei em adquirir um par dessa linha Leisure, da Diadora. Gostei dos modelos. Vale a pena conferir.

- O Grêmio precisa muito ganhar do São Caetano nesse final de semana. A campanha medíocre do tricolor fora de casa começa a assustar. Está na hora de reagir e mudar esse quadro. Pior que não vou assistir ao jogo, pois estarei curtindo uma prainha, depois de muito tempo. Torçam para que o sol se imponha em Torres. E pelo Grêmio, lógico.

- Tive meu momento de posteridade na ZH de sábado, 07 de outubro. Quem fala comigo no messenger e leu a matéria, percebeu na hora. O 2º Gustavo que aparece na lista de contatos da Priscila é eu. Que momento, hein?

dito por: Gustavo 2:36 PM Diga-me. Terça-feira, Outubro 10, 2006

Afinal, quais são as bandas que tem tocado no meu cd player? Esse é um daqueles posts egocêntricos, no qual o único propósito e exibir para mim mesmo o que tenho ouvido e organizar o que preciso ouvir.

Tenho ouvido Libertines, Minus The Bear, Strokes, Cypress Hill (!!!!), Fugazi, Queens Of The Stone Age, Sunny Day Real Estate, The Shins e algumas cositas mais ¿ que não recordo agora.

Tenho diversos álbuns armazenados no meu PC que está no conserto, o que tem me impedido de renovar essa lista nos últimos meses. Costumo usar o last.fm para prospectar bandas, mas a ausência do meu computador impede que eu baixe as descobertas com a mesma dedicação de antes.

Aceito sugestões, meus caros.

dito por: Gustavo 7:27 PM Diga-me. Terça-feira, Outubro 03, 2006



O show histórico do NOFX em Porto Alegre

Porto Alegre foi contemplada com três shows de bandas internacionais aos quais compareci no ano de 2006: Rufio, The Ataris e NOFX. Porém, apenas um levou-me a um estado de euforia inesgotável, que fez com que eu não cansasse em nenhum momento e ignorasse uma dor incômoda no tornozelo esquerdo. NOFX, com certeza, é a banda mais marcante do punk rock dos anos 90 em diante. Apesar de já existir antes disso, chegou ao ápice no começo da década de 90, com dois álbuns essenciais: ¿White Trash, Two Heebs and a Bean¿ e ¿Punk in Drublic¿.

Ontem, tive a oportunidade de conferir pela primeira vez um show dos caras ao vivo. Cheguei ao Pepsi on Stage por volta das 21h40min, quando a Atrack já realizava o show de abertura para os californianos. Assisti, distraidamente, a apenas duas músicas dos gaúchos, pois a grande atração da noite viria depois. O NOFX entrou sob aplausos e histeria geral, mesmo que muitos ali, como se comprovou depois, conhecessem uma ou duas músicas da banda e só estivessem no show para distribuir socos e pontapés na roda punk gigante ¿ que se formou num trecho considerável em frente ao palco.



A setlist deve ser sempre um dever complicado para os integrantes do NOFX, pois é impossível montar um repertório sem deixar de fora 30 ou 40 músicas boas. Por isso, eles variaram bastante nos shows que fizeram no Brasil. Em Porto Alegre, fomos privilegiados com algumas canções extras, que acredito que não foram executadas em outros lugares e, aqui, eles cederam à pressão de inúmeros fãs. Após a performance de Eric Melvin com o acordeão, eles retornaram e tocaram algumas músicas curtas, como ¿Fuck the kids¿, e emendaram ¿Soul Doubt¿ ¿ para fechar com chave de ouro. A gauchada pulou e berrou muito com o repertório generoso de mais de 25 músicas, que teve duas ou três saídas e retornos ao palco por parte dos músicos. Foram executadas várias clássicas: ¿Bob¿, ¿Murder the government¿, ¿Linoleum¿, ¿I¿m telling Tim¿, ¿Stickin in¿, ¿Fuck the kids¿, ¿All his suits are torn¿, ¿The brews¿, ¿Don¿t call me white¿, ¿Perfect government¿, "Dinosaurs will die", "Radio" (Rancid), "Eat the meek", "Louise", "Bottles to the ground", etc. O NOFX também aproveitou para divulgar duas ou três canções de seu cd mais recente, intitulado Wolves in wolves' clothing, que ainda não tive a oportunidade de ouvir.

Melvin tocou acordeão, Hefe, trompete, e Fat Mike esteve impecável no contrabaixo e no vocal. Nem precisaria, pois só a presença de palco dos caras seria suficiente para propiciar o verdadeiro delírio coletivo que testemunhei na noite de ontem no Pepsi on Stage.



Fotos gentilmente cedidas por Bernardo Behs

dito por: Gustavo 11:24 AM Diga-me. Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Diário de mesário ¿ 1º turno

¿Acordei às 6 horas e 10 minutos, nem tão disposto, nem tão cansado. Adormeci por volta das 23 horas e 30 minutos na noite anterior ¿ o que significa um tempo de sono maior que o meu habitual. Tomei um banho, me vesti e bebi um copo de água gelada, que despertou um estranho frio no peito. Aguardei meu irmão, que seria mesário em outra seção, para nos dirigirmos ao colégio Léo Beta, onde ¿cumpriria meu dever com a democracia¿ até às 17h. Chegamos ao local, nos separamos e conferi o meu local de trabalho: uma sala retangular, com uma urna em uma das pontas, um quadro negro repleto de folhas com nomes e números de candidatos, uma sequência de mais ou menos 7 cadeiras e mesas e um pequeno aparelho ligado por um fio à urna ¿ composto por números e as teclas confirma e corrige.

Atrás das mesas, as demais classes da sala de aula estavam compactadas em um dos lados da sala, economizando espaço. Meus companheiros de jornada foram chegando. Alzira, a presidente de mesa, a 1ª mesária, cujo nome eu esqueci (!), que já participaram de outras eleições, e o secretário de mesa, Poty, que, assim como eu, fez sua estréia. Todos se mostraram pessoas bacanas¿

Situações:

1 ¿ Muitas pessoas passavam por dificuldades ao enfrentar a urna eletrônica. Alguns, no entanto, se destacaram. Houve um senhor que errou quase todos os votos por não conseguir ler direito e, ao ser questionado a respeito do ponto da votação em que se encontrava, informar errado. E ele não foi o único. É impressionante como muitos votos nulos parecem ter origem mais na inaptidão das pessoas para manusear as urnas do que na intenção de realizá-los. Um outro idoso causou impaciência em outros eleitores, pois a cada voto perguntava se já havia acabado. A Alzira, que era presidente da nossa seção, não era lá das mais pacientes, e isso não ajudou muito.

2 ¿ Houve um momento que a seção parecia uma pré-escola. A criançada impera nas eleições. Todos acompanham os pais e querem digitar os números e confirmar os votos.

3 ¿ Como tem gente fedorenta no mundo.

4 ¿ Se beber, não vote.

5 ¿ Um senhor se impressionou ao chegar à seção e deparar-se com uma urna eletrônica. Parece que alguém não votava já há algum tempo...

6 ¿ Não tenho certeza, mas acho que uma prostituta votou na minha seção. Teve um grande número de gaudérios e idosos. Mulheres bonitas ¿ uma ou duas, no máximo.

7 ¿ Como tem gente fedorenta na seção 302.

8 ¿ Um cara entrou na minha seção achando que era a saída do prédio. Foi engraçado.

9 ¿ Várias figuras conhecidas votam na mesma seção que eu, como descobri ontem. Entre elas, o Tio Tadeu, pai do Ché, o Moita (que compareceu com um nariz de palhaço e a Stéfi) e o Brasil (que vota na mesma zona).

dito por: Gustavo 1:23 PM Diga-me.

copyright fernando satt corrêa