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Sexta-feira, Dezembro 22, 2006 Fábula de Natal
Sentado à mesa, saboreava um suculento pedaço de vazio, pois não gosta de peru. A sua única companhia era a televisão, que exibia um vídeo curioso, mostrando uma família desfrutando uma generosa ceia de Natal. Todos riam e conversavam animadamente. O rapaz assistia atentamente ao filme, que comprara para ter alguma companhia nesta noite tão solitária. Tentava, em vão, interagir com os atores e atrizes. Aquilo começou a impacientá-lo. Por que eles não respondem? Afinal, a única razão que o levara a comprar o DVD fora a esperança de ter alguém para conversar e diminuir a solidão. Transtornado, jogou um prato contra o monitor, que despedaçou-se. Passou a berrar descontroladamente e atirou-se no chão. Passou alguns minutos com o rosto colado ao solo e, repentinamente, realizou um movimento brusco para se erguer. Foi até o quarto, abriu uma gaveta e retirou uma arma. Na rua, fazia um silencia devastador. No bairro, as casas estavam fechadas, repletas de pessoas eufóricas e felizes com a data. Um tiro rompeu o silêncio nas ruas, mas não chegou às residências.
P.S: Estou feliz com a chegada do Natal, mas esse DVD para pessoas solitárias não dá para aguentar. Que negócio cretino!
dito por: Gustavo 11:57 AM
Diga-me.
Quinta-feira, Dezembro 21, 2006
Caçando Carneiros, de Haruki Murakami, é mais uma obra-prima do incensado escritor japonês. Sabendo como poucos misturar a rotina ao acaso, é um narrador anônimo que protagoniza toda a história. Ele parte em uma jornada a fim de encontrar um carneiro raro. O animal possui relação obscura com um homem muito poderoso, que vê uma foto dele publicada em um despretensioso anúncio publicitário. O aparentemente esdrúxulo objetivo torna-se natural e instigante, tão habilidosas são as explicações e, por que não, divagações de Murakami.
O poderoso executivo que ameaça destruir a vida do protagonista se transforma no responsável por dar algum sentido a uma existência ociosa, insípida, vivida diariamente pelo publicitário. O acaso, aquele de Paul Auster, é predominante na obra de Murakami. Uma modelo que não é de corpo nem de rosto, e sim de orelhas, cativa o personagem principal apenas quando retira os fios de cabelo que cobrem seu triunfo, exibindo orelhas perfeitas e, para o seu parceiro, estimulantes.
Uma narrativa que oscila entre a realidade e a fantasia, como é comum na obra de Haruki Murakami. Mais uma leitura obrigatória para qualquer um que aprecie literatura incomum, fantástica e imprevisível.
dito por: Gustavo 4:00 PM
Diga-me.
Terça-feira, Dezembro 19, 2006 Para reflexão: texto do Mário de Almeida no Coletiva.net
dito por: Gustavo 5:54 PM
Diga-me.
Sexta-feira, Dezembro 15, 2006 Principais notícias de hoje na editoria de política da Folha de São Paulo:
"Congressistas aumentam o próprio salário em 91%"
"CPI acaba e poupa petistas do caso dossiê"
"CPI inocenta Freud em relatório"
dito por: Gustavo 4:44 PM
Diga-me.
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