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Se você me pedir para falar um pouco sobre como sou e o que faço, provavelmente não será interessante. Esse site é 99% fictício, e o 1% restante pode ou não ser verdade.

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Segunda-feira, Março 26, 2007

Ih, fudeu...

Não que eu esteja à procura, mas fudeu...

PARA NÃO
FICAR SÓ

Homens que querem companhia, atenção:
Luiz Cuschnir listou, no livro A Relação Mulher & Homem (Ed.
Campus), o que as mulheres rejeitam no sexo masculino

:: Machismo, controle, autoritarismo e egoísmo (não)

:: Falta de sinceridade ou de coragem para encarar sentimentos (é, de vez em quando...)

:: Falta de cavalheirismo e de dignidade (já me disseram que não sou dos mais cavalheiros)

:: Falta de cultura e de educação (não)

:: Falta de ambição e de honestidade (ambições humildes tão valendo?)

:: Inferioridade e indecisão (é...)

:: Crítica em excesso ou prepotência (volta e meia)


Resumindo: das 7 características rejeitadas, atendi a cinco. Considerando que algumas apenas parcialmente, acerto em 3,5. Ou seja, sou 50% rejeitável.

Conclusão: não sei por que raios eu me inseri nessa pesquisa.

dito por: Gustavo 3:58 PM Diga-me. Ian Mackaye and The Evens



O final de semana terminou animado aqui em Porto Alegre. No domingo, tivemos a oportunidade de assistir ao show do The Evens, que conta com a presença significativa de Ian Mackaye, membro-fundador de bandas como Teen Idols, Minor Threat, Embrace e Fugazi. Faltam palavras para descrever o que foi o show. O The Evens é bem diferente das que citei acima, mas a simples liderança de Ian e suas composições tornam a música maravilhosa. Trata-se de um duo formado por ele e Amy Farina, cujo trabalho mais significativo foi realizado no The Warmers. Ian compartilha sua guitarra acústica com a bateria compassada e agressiva de Amy. Dividem os vocais com competência inegável, alternando e somando as vozes em coros singelos como pouco se ouve em bandas com dois vocalistas.

Formado em 2004, o The Evens já lançou dois cds e, antes de vir ao Brasil, onde percorrerá mais seis cidades, esteve no Chile e na Argentina. Sobre o show em particular, teve cerca de uma hora de duração e deu preferência ao mais recente cd (¿Get Evens¿, lançado em 2006 pela Dischord Records). Ian aborda em suas letras temas como o governo desastroso de George Bush, a esperança de que, assim como uma tempestade, os maus governos passem, além de abordagens variadas sobre questões sociais, culturais e emocionais. Entre as músicas, procurava conversar com a platéia, demonstrando uma ironia inteligente e instigante, além de tomar o cuidado para falar devagar, possibilitando o entendimento por parte do público.

Em algumas canções, solicitava a participação das pessoas, combinando antes de executá-las o que o público deveria fazer. O carisma incomparável de Ian aliado à timidez meiga de Amy cria um contraste encantador. Há uma sintonia muito bonita entre os dois, dando a impressão de que estão empolgados e felizes com o projeto. Em determinado momento, Ian questionou a platéia, intrigado pelo fato de muitos estarem cantando as músicas, sendo que os álbuns do ¿The Evens¿ sequer são vendidos no Brasil: ¿Have you been downloading our songs on the Internet?¿. Após a resposta assertiva, complementou: ¿That¿s great. Keep on doing it, please¿. A explicação de Ian para esse polêmico incentivo é simples. Se os álbuns não chegam até aqui e, mesmo que chegassem, seriam cobrados preços absurdos, torna-se a única forma possível desse público ter acesso à música do The Evens. Ele acredita que, acima de qualquer interesse financeiro, está a música, que é criada para ser ouvida e, caso isso não ocorra, há uma falha no ciclo. Para ele, a música é mais importante que o dinheiro.

À Imprensa, após o show, Ian respondeu uma série de perguntas. Perguntado sobre o fato de muitos não entenderem o que ele diz, mesmo que estejam cantando junto, afirmou que isso não o incomoda. Pelo contrário, é até positivo. A simples idéia de estarem foneticamente articulando as palavras e o fazerem em diversos lugares pode despertar o interesse de outras pessoas que entendem o que está sendo falado. Assim, a informação está sendo transmitida ininterruptamente. Foi uma entrevista tranqüila, com alguns momentos de estranhamento. Em um deles, perguntado sobre um curta-metragem do qual teria participado junto com Amy, ficou surpreso, e disse nem se lembrar dessa participação. Encaminhou a mesma questão a garota, que estava apenas acompanhando, distanciadamente, a entrevista. Ela respondeu que também não se recordava do filme. Respondendo a uma pergunta reincidente que o deixou um pouco irritado, Ian, mais uma vez, disse não ter nada a ver com a criação do straight edge. Afirmou que a canção clássica do Minor threat, por muitos apontada como inspiradora do modelo comportamental, foi apenas uma resposta aos que o criticavam por viver à sua maneira, independente do que pensasse. È, portanto, uma letra que incentiva as pessoas a serem elas mesmas, e não a adotarem determinado comportamento porque os outros lhe dizem que é o ideal.

Assim é Ian Mackaye, claro, objetivo e talentoso. Ao final da entrevista, agradeceu os repórteres e partiu junto com Amy em busca de algum lugar para jantar. Se algum dia retornar ao Brasil, depois de 27 anos de música e 45 de vida, Ian ainda terá muitos fãs a esperá-lo.

dito por: Gustavo 2:10 PM Diga-me. Sexta-feira, Março 09, 2007



A Morte Feliz, de Albert Camus

Lançado pouco tempo antes de ¿O Estrangeiro¿, são inegáveis as semelhanças entre ¿A Morte Feliz¿ e a obra antológica de Albert Camus. Alguns arriscam dizer que uma trata-se de um preâmbulo da outra. No entanto, não pode se resumir um livro com uma história tão marcante a introduzir outro. ¿A Morte Feliz¿, embora seja confuso e perca-se um pouco em seus propósitos, tem o mérito de apresentar um tipo de personagem freqüente nas obras do escritor argelino: o insensível e racional. Mersault é assim. Após matar o aleijado Zagreus e tornar-se financeiramente independente, parte em viagens pelo mundo à espera da morte feliz. Embora não apresente a densidade psicológica de ¿O Estrangeiro¿, ¿A Morte Feliz¿ traz trechos maravilhosos que funcionam perfeitamente para o entendimento do pensar de Camus.

Pg. 123 ¿ em conversa com as amigas Claire, Rose e Catherine, Mersault fala sobre felicidade: ¿As pessoas não são mais ou menos tempo felizes. São felizes ou não, só isso. E a morte não impede nada, é um acidente da felicidade, nesse caso¿.

Pg. 136 ¿ Quando moribundo, Mersault reflete: ¿Compreendia que ter medo dessa morte que encarara com o desespero de um animal significava ter medo da vida. O medo da morte justificava um apego sem limites a tudo que está vivo no homem. E todos aqueles que não tinham feito gestos decisivos para enobrecer sua vida, todos os que temiam e exaltavam a impotência, todos tinham medo da morte, devido à sanção que trazia a uma vida que não tinham se enredado. Não tinham vivido o suficiente, jamais haviam vivido. E a morte era como um gesto que privasse para sempre de água o viajante que procura em vão saciar a sede. Mas para os outros ela era o gesto fatal e terno que apaga e nega, sorrindo tanto à resignação quanto à revolta¿.

dito por: Gustavo 4:02 PM Diga-me. Quinta-feira, Março 08, 2007

Dia Internacional da Mulher

"Ao primeiro suspiro faz-se notar
Ostenta traços de muita delicadeza
Permite aos olhos descanso e ternura
Ao ver-te dar o primeiro de muitos passos

Sempre ativa, brinca no jardim
Suja o rosto com doce e ri
Muito, e cada vez mais alto
Até o canto desafinado faz os outros sorrir

A juventude traz mais concentração
Quase uma mulher, mas não dorme sem o ursinho
As nuances da vida te incomodam
E as incertezas do futuro te determinam

Linda e madura, leva-os ao êxtase
Conserva, no entanto, um charme pueril
Uma meiguice incompleta pela responsabilidade
Que a torna dedicada a tudo que faz

Entrega-se
É da tua natureza confiar
Mesmo que às vezes se decepcione
Dos seus desafios não foge

Tantas tarefas e responsabilidades
De ti outra nasce
Recomeça o ciclo
O que fica é a admiração por cada mulher"

Parabéns, mulheres.

dito por: Gustavo 10:49 AM Diga-me. Sexta-feira, Março 02, 2007

Eu não consigo doar sangue

Descobri isso ontem. Uma colega está com a mãe hospitalizada e pediu ajuda, pois precisava de quatro doadores de sangue. Decidi me oferecer, pois não achei que pudesse haver algum problema e a atitude parecia indispensável para ajudá-la. Cheguei ao hospital por volta das 12h30min e demorei um pouco para encontrar a seção de hemoterapia, onde são realizadas as doações. Fui com três colegas, entre as quais a filha da pessoa para quem estávamos doando.

Fui o primeiro e não estava nervoso, apesar do calor sufocante porto-alegrense. Passei por uma entrevista cômica, realizada por uma das médicas do lugar. Sei que as perguntas são necessárias para analisar e avaliar as amostras de sangue, mas algumas são impagáveis. Ao fim do questionário, comentei: ¿Engraçada essa entrevista, não?¿. A médica concordou. Depois disso, me pesei e tive o dedo furado para que fosse realizada uma avaliação inicial do meu sangue, que acabou aprovado. A pressão também estava perfeita, como enfatizou a médica.

Fui encaminhado à sala de doações, que é espaçosa e erma como se espera de um lugar onde lidam com sangue humano. Fui atendido por um enfermeiro. Ele escolheu o meu braço esquerdo para tirar sangue, após avaliar as veias de ambos. Sentei em uma das poltronas e estiquei o braço sobre uma estrutura côncava. O rapaz deu início aos trabalhos, umedecendo a veia com álcool (antes eu já havia lavado o braço na água). Eu estava calmo quando ele furou o braço e pediu que eu começasse a abrir e fechar a mão. Os primeiros segundos foram confortáveis, mas à medida que ia sendo retirado sangue, comecei a ficar mal. Primeiro, senti um calor efêmero, seguido pelo famoso ¿suor frio¿. Empalideci rapidamente, como atestou o enfermeiro. Ele perguntou se eu estava bem, e menti que sim. Até aí, o mal-estar parecia administrável. No entanto, o braço começou a formigar e fiquei sem força. Senti um enjôo que parecia aumentar, mas ainda resistia bem. Perguntei quando faltava, e ele respondeu: ¿mais um minuto¿.

Então, a visão começou a embaralhar, e coloquei os meus óculos para ter certeza que não era a miopia. Não era. Fui me sentindo tonto, fraco e imprestável. A voz já não saía com tanta facilidade quando questionei mais uma vez o tempo restante. ¿Trinta segundos¿, disse ele. Então, quando estava a um passo de desmaiar, ele perguntou se eu queria parar e respondi um ¿não¿ fraco demais para convencê-lo que estava bem. Sessão interrompida, doação cancelada. Não consegui atingir a quantidade mínima de sangue para doar. Foi terrível tentar ajudar e fracassar. Uma das colegas que foi junto conseguiu. A outra, não, pois estava com baixo índice de hemoglobina no sangue.

Decepcionado, tive que ficar um tempo deitado, sentindo uma sensação terrível até conseguir me recuperar. Assisti ao noticiário assim, na sala de doações do Hospital Moinhos de Vento. Tomei um pouco de suco de uva, oferecido pela seção de hemoterapia, e, assim que me senti um pouco melhor, fui para a sala de espera, aguardar as colegas doadoras. Ainda joguei futebol à noite, debilitado. Respirei pior do que nunca, pois parece que precisamos de 3 dias sem praticar atividade física após doar (ou tentar doar). As razões para o meu fracasso, como me explicou o enfermeiro, podem ser cansaço, calor ou nervosismo. No meu caso, acho que foram as duas primeiras.

dito por: Gustavo 5:06 PM Diga-me.

copyright fernando satt corrêa