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Sexta-feira, Novembro 09, 2007 Back Again
Sei que estive ausente, perdido por este mundo das obrigações e das alternativas. Para começar, longe da inoperância, escrevi bastante nestes últimos meses. O trabalho de edição me obriga, ainda, a reescrever. O tema é quase sempre o mesmo: música. Eventualmente, anoto uma ou outra idéia para um texto fictício ou algum relato aleatório, mas nada que denote outro interesse jornalístico. O que serve ao momento é o desejo de retomar este blog, com textos semanais. É essa a missão que pretendo levar adiante.
Viagens no Scriptorium, de Paul Auster
Não é novidade para a maioria o meu fascínio por Paul Auster. Poucos conseguem transferir para suas narrativas a imposição do acaso como ele. A ação do improvável é tema recorrente na prosa dinâmica e imprevisível do escritor nova-iorquino.
Comprei Viagens no Scriptorium, seu mais recente livro, durante uma viagem para o Rio de Janeiro. Depois de quatro dias descansando nas belas praias cariocas, perdi algum tempo em uma livraria no aeroporto do Galeão. Vasculhando os mais recentes lançamentos, encontrei o livro envolto por uma das tradicionais capas personalizadas que a Companhia das Letras utiliza para as obras de Auster. Não havia lido nada a respeito e, analisando a espessura, percebi tratar-se de um dos mais curtos que tive a oportunidade de acessar.
Chegando a Porto Alegre, mantive o livro em segundo plano, pois estava finalizando outra leitura. Li algumas resenhas da crítica norte-americana, muitas desfavoráveis à obra e, logo que acabei o outro livro, um mês depois, abri Viagens no Scriptorium e o li inteiro em poucas horas. Isso porque, embora não esteja nem perto de obras-primas como Leviatã e Trilogia de Nova York, é um livro de fácil leitura e rápida digestão. Auster não consegue, desta vez, nos surpreender no virar de páginas, mas propõe um quebra-cabeça ao leitor.
Blank é o protagonista. Ele acorda sozinho em um quarto. Não sabe onde está, de onde veio, muito menos quem é. Inquieto com as indagações, aos poucos vai recebendo respostas, que são dadas por pessoas que entram em seu quarto. Seja Anne, a personagem que o cativa e, até mesmo, o masturba, passando pelo ex- operador Flood, que discute asperamente com o protagonista, e outros que invadem o aposento de Blank por motivos distintos. São esses os propulsores da narrativa, responsáveis pelas respostas vagas que inquietam o leitor quanto à origem e ao destino da leitura. Somados a eles, servindo para manter o mistério, estão os escritos deixados sobre uma escrivaninha no quarto, supostamente escritos pelo próprio personagem.
Em determinadas passagens, Auster entremeia na ação nomes conhecidos como Fanshawe, de Leviatã, e Ben Sachs e Quinn, de Trilogia de Nova York. Retomar personagens antigos é uma maneira de tornar a obra ainda mais intrigante. À medida que vamos percebendo e somos informados que Blank é considerado uma pessoa má e será julgado por diversos crimes, tudo perde-se no terreno das incertezas quanto ao rumo da obra. No entanto, Auster sempre guarda uma carta embaixo da manga para o final. O maior (de)mérito de Viagens no Scriptorium é o fato de ter sido criado pelo escritor para si mesmo. Isso você só constatará lendo o livro do começo ao fim.
dito por: Gustavo 12:12 PM
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