Se
você me pedir para falar um pouco sobre como sou e o que faço,
provavelmente não será interessante. Esse site é
99% fictício, e o 1% restante pode ou não ser verdade.
Eu não sei por que os sábados me aborreciam tanto. Só sei que esse era um dos piores. Eu estava sozinho. Todos haviam viajado. Sentado em frente ao computador, coloquei uma seleção das músicas que mais gostava naquele momento para tocar. Na televisão, um filme sobre uma mulher e suas desventuras com caras. Ela chegava a uma teoria maluca que comparava mulheres a vacas velhas. A idéia era basicamente a de que os homens querem apenas vacas novas, pois as velhas enjoam. Voltando às músicas, eu notava que havia uma tendência a sons calculadamente melancólicos. E retomando o filme, eu sou um homem assistindo a algo que traça uma teoria pós-feminista que, embora plausível, deveria me fazer rir, e não refletir.
Até que ponto estava certo pensar que nós somos touros tarados? O grande problema, no meu caso, era perceber que eu não cabia na descrição. Acho que me identifiquei mais com a mulher do que com a imagem masculina que ela construiu, e isso é grave. Espera-se que um cara domine e saiba a hora de seguir em frente, mas eu nunca tive essa capacidade. A partir do momento em que comecei a me interessar por mulheres, sempre estive na condição que teoricamente seria ocupada pelas garotas. Nunca fui eu quem recebi a declaração ou ouvi o significado que tenho para elas. Eu tive que dizer, repleto de receios. Contraditório. Você é homem, mas pensa como uma mulher. Sofre por elas, se deprime e passa o sábado exposto a canções que reafirmam a sua melancolia.
Eu não quero analisar profundamente esse meu sábado, mas ele é tão marcante. Não chove, pelo menos. Mas as nuvens cobrem a luz tímida do sol e naturalmente irá chover à noite. Eu lembro de um livro do Auster, a “Trilogia de Nova York”. São três narrativas. Uma delas chama-se “Cidade de Vidro”. No momento em que o protagonista – um escritor que se passa por detetive – conhece a mulher do cara que o contratou para o trabalho, ele sente-se irremediavelmente atraído por ela. Quando prepara-se para ir embora do apartamento, ela lhe dá um beijo molhado nos lábios. Até que ponto isso aconteceria na vida real, me pergunto. O simples fato de eu estar propondo esse tipo de raciocínio mostra o motivo de eu estar escrevendo a respeito. É uma desconfiança em relação à masculinidade. O poder do homem, pelo menos o que enxergo, me faz pensar que é indispensável um bom papo e outra série de circunstâncias para que se consiga algo com uma mulher. Um ato por impulso só é plausível em pornografia.
Ontem, fui a uma festa que havia pouquíssimas mulheres, e muitas eram lésbicas. Eu prestava atenção em todas, porque tenho essa obsessão por elas. Mas não é aquela coisa punheteira que a maioria dos caras sente. Eu sinto uma atração genuína, algo que ultrapassa o estímulo sexual. È lindo. Nada consegue superar a sensação de duas garotas se beijando; nem mesmo uma cena de penetração heterossexual – que teoricamente é o auge para qualquer homem. Então eu preferi apenas observá-las doentiamente a festa toda. Há algum tipo de desequilíbrio nisso, não? Aliás, as coisas que eu penso estão destituídas de sentido ou razão. É tudo às avessas ou apenas efeito de um sábado fastidioso, mas é o que se avoluma na minha mente.
Pior ainda: estou postando isso com alguns meses de atraso. Será que ainda faz sentido? Azar.
dito por: Gustavo 3:18 AM
Diga-me.
Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
Simian Mobile Disco - Hustler
Como prometido, este é um videoclipe interessante lançado recentemente. A música faz parte do último álbum do Simian Mobile Disco, banda que segue a linha de nomes como Daft Punk e Chemical Brothers, mas com uma pegada mais atual. É uma das versões de vídeo para Hustler, pois há outra: a que mostra uma rodinha pervertida de garotas (vale a pena buscar no youtube).
dito por: Gustavo 5:32 PM
Diga-me.
Terça-feira, Dezembro 11, 2007
Bosta
Esta é uma das piores coisas que eu vi na vida. O clipe e a música brigam para ver quem é pior. Uma legítima bosta. Bosta de letra, bosta de melodia, bosta de ritmo e bosta de enredo. Amanhã coloco algum clipe bacana para fazer um contraponto. Parece que o Bonde do Rolê não conta mais com a tal da Marina como vocalista. Duvido que melhore, mas piorar eu acho impossível.
dito por: Gustavo 5:23 PM
Diga-me.
Segunda-feira, Dezembro 10, 2007
Férias chegando: vou escrever até doer
Chega de preguiça e de desculpas. A partir de hoje pretendo tornar este blog uma inesgotável fonte de informações sobre música e o que mais me der na telha. Como tenho essa convivência quase diária com bandas, álbuns e shows, decidi escrever diária e principalmente sobre esses temas.
Recentemente, uma lista divulgada pela revista Blender ordenou os cem principais álbuns independentes da história da música. Figurou na primeira posição Slanted and Enchanted, do Pavement. Na NOIZE de dezembro, fizemos a lista com "10 álbuns para se ouvir na praia". Pretendo, nos próximos dias e semanas, escrever um pouco sobre os álbuns que mais me cativaram nos últimos anos, quando realmente me tornei um obstinado pelo conhecimento de música. Sem um foco temporal, vou simplesmente escrever reviews à exaustão.